sábado, 31 de dezembro de 2011

Lição 5 - (Julho-2011): O QUE FAZER PARA SUPERAR UM MEDO ?

Lição 5 -  (Julho-2011): O QUE FAZER PARA  SUPERAR UM MEDO ? 

O medo é uma sensação que causa um estado geral de alerta, geralmente pelo "receio" em se fazer algo ou entrar em contato com alguma coisa. Há uma sensação de ameaça, tanto física, quanto psíquica. Pavor é a definição da ênfase do medo.
O medo frequentemente gera descargas de hormônios, como a adrenalina, causando aumento da atividade cardíaca, respiratória, paralisia intestinal, dilatação das pupilas e narinas, remoção de fluxo sanguíneo da pele e direcionamento aos músculos, dentre outros. Após a descarga adrenérgica inicial, normalmente ocorre uma compensação "parassimpática", ou seja, os efeitos ao inverso. Nesta "compensação", pode ocorrer a percepção de "tremores" e de que estamos "suando frio". Quando estas duas condições de sensações ficam se alternando com uma frequência aumentada (por algum motivo), podem ocorrer efeitos psíquicos, como estados depressivos, de ansiedade, pânico,etc... 

A resposta de alerta repetitiva ao copo pode ser decorrente de algum estímulo físico ou mental (acreditar em algo, imaginar, interpretar). A descarga de adrenalina ocorre exatamente para enfrentar esse estímulo ou fugir. Quando ocorrem repetições destes estímulos, um pouco antes de iniciar a resposta ao medo, pode ocorrer um outro tipo de resposta: a ansiedade. Nesta, há  temor antecipado do encontro com a situação ou objeto que desencadeará o "medo". Diversas linhas de tratamento médico/psicológico existem para lidar com estas situações. Tem gente que tem medo de altura, de andar de avião, de ter contato com pessoas, contato com água, com animais, e por aí vai. Existe uma técnica em especial denominada "Dessensibilização Sistemática", na qual o indivíduo para se tratar, vai entrando em contato com seu "medo" e o enfrentando. Com isso, há um processo de  reestruturação cognitiva, re-aprendizagem e re-significação da resposta ao contato que gerava anteriormente o "medo"/"ansiedade". O esperado é que ocorra melhora e uma reação mais equilibrada. E era exatamente atrás disso que eu estava.      

Em 2009, quando estava em Lua de Mel com a Tati, saímos de carro às 14:00h de Veneza com destino à cidade de "Interlaken", na Suíça. A princípio fui contra essa proposta de deslocamento, que foi feita por uma agência de turismo, pois o trajeto seria de carro, em uma época em que se escurece por volta de 16:30/17:00h na Europa (Novembro). Infelizmente, as correrias "pré-casamento" não me deixaram pensar direito a respeito deste trajeto. A alegria de se estar em uma Lua de Mel também me fizeram "despreocupar" com esta condição. Contudo, quando saímos em deslocamento, já no caminho, verifiquei que seria algo difícil. Fiz a programação do GPS e segui caminho. Não me preocupei em analisar a trajetória, afinal, bastava "confiar" no GPS Europeu. A rota apresentada foi a que está abaixo, com 526 Km e duração de 5 horas e 46 minutos. Obviamente, saindo de Veneza às 14:00h, só conseguiria chegar em Interlaken por volta de 20:00h. Isso significava que eu iria dirigir por cerca de 3 a 4 horas no escuro. Até aí, tudo bem, nada muito diferente do que se faz no Brasil. Entretanto, nós estávamos na Suíça e existe um "pequeno detalhe" que deve ser respeitado em algumas épocas do ano por lá.  

Para facilitar o entendimento, eu vou mostrar qual foi o "pequeno detalhe" que causou todo o transtorno. Depois de passar pelo túnel de São Gotardo, que é a divisa entre Itália-Suíça, o GPS determinou que deveríamos virar em "Wassen", sair da auto-pista, pois seria um "atalho" até Interlaken. Como havíamos feito uma pausa em "Como" (Norte da Itália), entramos em "Wassen" por volta de 20:00h. A seta vermelha indica a entrada de "Wassen" e a amarela indica a cidade de Interlaken.   

Contudo, o que tínhamos de ter feito era continuar na auto-pista, conforme o mapa abaixo.
A seta vermelha indica o local onde não deveríamos ter virado e a amarela indica o destino.

O que aconteceu em seguida foi uma sucessão de erros e falta de planejamento. Tudo começou alegre e no decorrer do trajeto, as coisas ficaram tristes. Analisando o vídeo que fiz àquela época (um pouco mais abaixo), vocês verão a minha expressão facial, que só foi ficando "fechada". Aquele "atalho" era, na verdade, o cruzamento de um ponto a outro por cima das montanhas. Ocorre que algumas estradas da Suíça fecham em alguns períodos do ano por causa de nevasca, deslizamentos de encosta, chuva muito forte e neblina. O problema é que nós não sabíamos disso. Então, eu estava em viagem há cerca de 6 horas, já cansado, escuro, frio do lado de fora e com a língua oficial daquele parte do Cantão, o ALEMÃO (e eu falo alemão o mesmo tanto que eu falo mandarim, ou seja, nada!). 

E onde entra o "medo" nessa história toda ? 
Ele entra, quando no alto da montanha, ficamos presos na entrada de um túnel. Estava muito escuro, muito frio,  2.000 m de altura, sem ninguém por perto para perguntar algo ou pedir socorro. Some-se a isso o meu cansaço, sono, fome, "estar em Lua de Mel" e temos, por fim,  um cenário perfeito de um filme de terror. A estrada do lugar era tão estreita que mal passava um carro. Fomos impedidos de prosseguir por causa de uma cancela, em que no centro havia um símbolo de um círculo vermelho e branco. Depois, fiquei sabendo  que aquele símbolo representava "proibido ultrapassar, há risco para sua vida". Aí você pode pensar: "muito simples, basta voltar e pegar o outro caminho". Meu caro(a) amigo(a), a questão é que àquela época, o único caminho que o GPS estava me dando era aquele. O outro caminho, continuando pela auto-pista eu não conhecia. Aliás, eu nem sabia que existia. E o GPS indicava que a cidade destino, a partir daquele túnel, seria em 8 Km. Ou seja, eu estava sem solução, no alto de uma montanha e à noite. E tem o detalhe de que não sabíamos porque estava fechado àquele tempo, pois só descobrimos o motivo depois. Felizmente, eu retornei e decidi que iríamos para qualquer cidade maior que estivesse próximo a nossa localização. 

A questão é que eu não sabia se iríamos entrar em outra "montanha" e outros caminhos possíveis, pois era a primeira vez que estava na Suíça. Por sorte, consegui achar um outro caminho e acabamos por chegar em Interlaken cerca de 3 horas depois, quando eu estava próximo de dormir ao volante. A cidade estava deserta e nosso hotel, que também fora escolhido pela agência de viagens, costumava "fechar" o check-in às 23:50h (nós chegamos por volta de 23:30h). 


E de onde surgiu o "medo" ?   
O medo surgiu devido a sonhos (pesadelos) que comecei a ter com aquela situação vivenciada. Eu sonhava frequentemente com o ocorrido e sempre vinha a imagem da "cancela fechada", com a imagem do círculo vermelho e branco. No começo eu achava que aquilo iria passar, que era "coisa boba". Entretanto, além de não passar, passou a piorar. Em 2010, decidi que voltaria ao local onde havíamos ficado presos. A chance que teria de repetir a experiência seria na World Gymnaestrada (Lição 4). Penei em fazer o caminho inverso, partindo de Lausanne, passando por Interlaken e chegando até o local onde ficamos presos. Só que desta vez, fiz todo um planejamento para a rota e estudei o tempo do local. Isso porque, mesmo no VERÃO, o local é perigoso!! E eu estava disposto a ir até o fim, custe o que custasse (CQC...rs), para resolver essa situação. Primeiro, teríamos de nos deslocar de Lausanne para Interlaken.

Depois, teríamos de nos deslocar de Interlaken até próximo a Wassen. 

Vou deixar que o vídeo fale por si. 


Enfrente e VENÇA seus MEDOS, o quanto antes, ou eles o dominarão. 

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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Lição 4 - (Julho-2011): A WORLD GYMNAESTRADA DA SUIÇA, EM LAUSANNE. A GINÁSTICA PARA TODOS (GINASTICA GERAL) E SEU REAL SIGNIFICADO: NÃO EXISTEM LIMITAÇÕES PARA AQUELES QUE ACREDITAM EM SEUS SONHOS.

Lição 4 -  (Julho-2011): A WORLD GYMNAESTRADA DA SUIÇA, EM LAUSANNE.  A GINÁSTICA  PARA TODOS (GINASTICA GERAL) E SEU REAL SIGNIFICADO: NÃO EXISTEM LIMITAÇÕES PARA AQUELES QUE ACREDITAM EM SEUS SONHOS. 


Esperei 16 anos por este momento: retornar a uma Gymnaestrada Mundial. Calma, vou "traduzir" o que é a Gymnaestrada. A Gymnaestrada é considerado o maior evento de ginástica não competitiva do mundo. Seu surgimento se deu pela vontade de um presidente da entidade internacional da ginástica (FIG) em ver apresentações focadas apenas nos benefícios das modalidades de Ginástica. A primeira Gymnaestrada - denominada Festival Internacional - teve sua primeira edição realizada em 1953, e, já contou com treze sequências. 

A sequência de uma Gymnaestrada compreende, basicamente, em:



  1. Cerimônia de Abertura
  2. Apresentações em grupos
  3. Apresentações em grandes grupos
  4. Espetáculos de Ginástica Geral por nações (Noites Nacionais)
  5. Espetáculo de Ginástica Geral da F.I.G. (F.I.G. Gala)
  6. Fórum de instrutores
  7. Evento social para os participantes ativos
  8. Cerimônia de Encerramento



Trata-se do festival internacional mais importante da ginástica geral(ginástica para todos), bem como o evento oficial da Federação Internacional de Ginástica para esta modalidade, no qual vários países se encontram a cada quatro anos para realizar apresentações, trocar informações sobre os trabalhos desenvolvidos em seus países e discutir a modalidade não competitiva como importante elemento para o aprimoramento humano. Em 2011, a sede do evento foi a cidade de Lausanne, na Suiça. 

A última que participei foi em Berlim, no ano de 1995, quando tinha 17 anos de idade e era atleta da Ginástica Olímpica (atualmente conhecida como Ginástica Olímpica). Naquela época, não tinha nenhuma certeza sobre meu futuro, apenas que gostaria de ser médico. Quis o destino que eu passasse por uma outra faculdade (PUC-MG // Comunicação Social) antes do ingresso no curso médico. Quem manda também concluir o ensino médio com 16 anos de idade. Eu não tinha a menor maturidade para ingressar em uma Faculdade àquela época. Fato é que depois das experiências de Berlin em 1995, muita coisa mudou. Foi minha primeira grande viagem Internacional, primeira para a Europa. Não preciso nem falar a respeito do choque cultural que tive. Este choque cultural mexeu muito comigo. Lembro, com muita felicidade, o quão foi importante para que eu corresse atrás de meu sonho àquela época: INGRESSAR NO CURSO MÉDICO.  Aliás, aqui eu gostaria de registrar a importância da ginástica em minha vida. Um esporte que trabalha MUITO  o corpo, mas PRINCIPALMENTE a mente. Compromisso, disciplina, dedicação, superação,  segurança, reafirmação pessoal, equilíbrio, controle emocional, vencer os limites e as incertezas , bem como conhecer seus limites, são algumas palavras que podem descrever a ginástica.E eu agradeço a Deus, diariamente, por ter tido a oportunidade de conhecer este esporte, que é pouco divulgado e praticado no Brasil. Agradeço, ainda, do fundo do meu coração, todos os ensinamentos de meus ex-técnicos de ginástica, Vinícius e Margô, que se transformaram em minha segunda família: Pai e Mãe.  



Além da experiência de voltar a uma Gymnaestrada, eu estava prestes a vivenciar algo inédito: participar do vento como Médico convidado da delegação PUC-MG/Criança Esperança. E, além disso, aproveitei para comemorar 2 anos de casamento com a Tati.


É difícil descrever o que "é" uma Gymnaestrada no sentido de "experiência". Você conhece gente do mundo inteiro, de todo tipo/jeito possível, criança, jovem, adulto, idoso....e, o mais importante, todos num mesmo tipo de intenção: festejar/celebrar a vida e a ginástica. Olhando para um lado, você vê uma criança de 8 anos fazendo alguns elementos, e, de outro, seu avô ou bisavô, também fazendo outros elementos. É este o princípio da ginástica geral, que tem por significado a junção de todas as modalidades (artistica, ritmica, acrobática, aeróbica, de trampolim, etc...) , que resultam em uma prática que visa os benefícios para a saúde, de sua prática constante. O importante é realizar os movimentos gímnicos com prazer e originalidade. Esta modalidade não é competitiva e pode ser praticada por todos independente de idade, porte ou aptidão física.









Grupo da Itália - "The Toonies"
Noite Brasil


Grupo PUC-MINAS/Criança Esperança.


Grupo Adulto-PUC-MG


Grupo Francês. 
Grupo Russo
Grupo do Canadá

Noite Suiça.

Grupo da Irlanda
Grupo do Japão
Grupo da Itália

No evento de abertura, as delegações dos Países participantes se juntam no Estádio Olímpico designado. A Suiça CAPRICHOU, e, vejam a surpresa que fizeram....

As apresentações foram belíssimas, destacando um grupo da Suíça que criou uma modalidade denominada "Swiss Rings":

Um País que eu não esperava que fosse participar era o Japão, por causa do Tsunami ocorrido poucos meses antes (11/03/2011). Entretanto, não só participaram, como fizeram uma belíssima Noite Japonesa, com o tema: RECONSTRUÇÃO. Fiquei pensando: "Meu Deus, o País arrasado e eles conseguiram chegar aqui...". E, naquele dia, eu fiquei muito emocionado, pois eles conseguiram demonstrar em apresentações as dificuldades que estavam passando e deixaram um recado expresso ao mundo:"WAIDO" WE WILL NEVER GIVE UP! GO AHEAD!!!! GO AHEAD!!! JAPAN!


E, necessariamente, a apresentação que mais me tocou foi a de um grupo Suíço em que participaram deficientes mentais e físicos.  Esta apresentação é a prova objetiva de que a ginástica para todos é possível de ser praticada por qualquer um. É a prova de que não existem limitações para aqueles que ACREDITAM NOS SEUS SONHOS. Integrando o grupo estava Damian, um Suíço de 20 anos, portador de paralisia cerebral grave, com restrição importante de movimentos corporais. Percebam no vídeo que ele consegue acompanhar até mesmo o RITMO da música na apresentação. Integrando o grupo também estava Malick Touré, um adolescente portador de Tetraplegia. Este, ficou meu amigo no Facebook e tenho mantido contato frequentemente. Impressiona-me sua capacidade de transpor barreiras, uma vez que ele faz a maioria das atividades com uso de um equipamento especial, controlado por movimentos de sua boca. Um outro integrante, portador de Tetraplegia, fez uma parada de mãos utilizando apenas a força dos membros superiores. 
   





 O exemplo de superação: parada de mãos feita por um paraplégico. 


O exemplo de superação: Damian. Foi um orgulho e honra poder conhecê-lo. Obrigado!  

E então, meu caro(a) amigo(a): O que vocês está esperando para começar a cuidar de sua Saúde ? De seu Corpo ? Acha mesmo que não é capaz ???




************************************************************Continua....**********************************************************



Lições 1, 2 e 3

Olá Pessoal!


Resolvi fazer um post sobre o meu ano de 2011, para compartilhar um pouco das experiências que tive. Certa vez, quando ainda era estudante do ensino médio (Colégio Santo Agostinho), uma professora de História me disse que nunca poderíamos viver o suficiente para ter todas as experiências de aprendizado, sendo este motivo suficiente para aprendermos com os outros. Não que eu esteja querendo "doutrinar" com o que vou escrever, não, longe disto! Contudo, as experiências que tive em 2011 foram atípicas e merecem o compartilhamento. Vamos lá...

Passamos o Revellon 2010/2011 dentro de um avião, com destino a França. Fui muito questionado por todos sobre "passar o Revellon dentro de um avião". E eu respondi que seria uma experiência diferente. Exatamente às 00:00, o comandante do Voo anunciou a passagem do ano ,e, junto com isso veio uma forte turbulência, como nunca tinha passado antes, que durou cerca de uma hora. Uma passageira do nosso lado chegou a gritar: "Santa Terezinha-Jesus-Nossa Senhora-Pai José, acode a gente aqui na mão de Maria". Talvez aquilo fosse um anúncio das "turbulências" que iriam ocorrer em 2011. Minha esposa costuma dizer que o que ocorre na noite de Revellon, acontece e se repete durante todo o ano. 


Lições que aprendi 1, 2 e 3


Lição 1 - Cuidado com a alimentação em Viagens (Janeiro-2011):

Certamente a lição aprendida em Janeiro de 2011 foi a de se tomar muito cuidado com a alimentação fora de casa (especialmente em viagens). Agrava-se ainda mais, se você está com fome e não tem outra opção de comida. O desastre é praticamente premeditado. Um amigo havia me dito que um prato muito bom, tipicamente francês, era o  boeuf tartare que nada mais é do que carne de boi crua, moída e misturada com alguns temperos. Um hábito que tenho em viagens é o de nunca comer nada "cru", exatamente pelas condições de higiene alheias. Contudo, com fome e em Paris, inocentemente não relacionei o "tartare" com "carne cru". Me esbaldei, e, o resultado não poderia ter sido outro: uma bela intoxicação alimentar. Pare e pense: DOIS DIAS DE CAMA EM PARIS. 
Bouef Tartare a esquerda. À direita, a melhor foto que pude colocar para representar momentos não tão alegres assim...  
Aí vocês vão pensar: "aprendeu a lição". Não. Não aprendi. Quatro dias depois, estavamos na cidade de Avigon (Sul da França), morrendo de fome (falta de planejamento) e resolvemos entrar em um restaurante que aparentava ser "limpinho" (afinal eu já estava traumatizado). Para comer algo mais "light", resolvi comer uma "salada". Depois de ter jantado, quando estava saindo do restaurante, infelizmente, vi o "mestre-cuca". Fiquei na dúvida se era um "bombeiro-encanador" ou um "cozinheiro", de tanta sujeira que tinha em seu avental e suas mãos. Obviamente, novamente, passei mal de novo. Só que desta vez, desidratei muito e quase fui parar em um Hospital Local. E aí fica uma outra dica de viagem: tenha sempre com você soro de reidratação oral contendo sódio e potássio. Ainda que esteja passando mal e perdendo líquidos, fazendo uso de soro de reposição oral com frequência, você não irá sofrer os efeitos de espoliação(principalmente do potássio): fraqueza, cansaço, dor no corpo, reflexos lentificados, dentre outros.
A escolha Light...
E para finalizar  lição 1, vejamos o vídeo de um típico "mercadinho francês", vendendo "pizzas frescas". 




Lição 2 - O Brasil é um País melhor (estruturalmente) do que você imagina (Fevereiro de 2011):


Em Fevereiro de 2011 fui para a Índia participar de uma conferência de Medicina Forense. Quase 40 horas para chegar ao destino, a cidade de GOA. A proposito, este convite surgiu em 2009, quando àquela ocasião fiquei amigo do Dr. Adarsh Kumar, secretário geral da Academia Indiana de Medicina Forense. Eu não fazia a menor idéia do que nos esperava na Índia. Por isso, levei comigo minha esposa e irmão, apelidados de "equipe de solo". Levamos 17 trabalhos científicos para a apresentação em poster/oral, bem como iria fazer uma apresentação como conferencista principal, sobre como funcionava a Medicina Pericial no Brasil. Apresentei uma curiosa estatística, qual apontei que nos próximos 5 anos, espera-se que 1 a cada 4 médicos será processado (judicialmente ou eticamente). Noutro giro, temos que pouca importância é dada nas escolas de medicina para a formação ético-legal do médico. Muita teoria e pouca praticidade. Os alunos estão se graduando sem saber emitir um relatório, um atestado ou um parecer. Pior, muitos desconhecem a diferença entre estes, bem como seus efeitos/consequências . Das quase 7.500h de carga horária do curso médico, cerca de 0,45% é dedicado ao ensino de assuntos relacionados a questão legal envolvendo a Medicina. E, quando se compara as estatísticas, que 25% dos médicos serão demandados nos próximos 5 anos, fico a pensar se os 0,45% de treinamento técnico que tiveram foram suficientes para evitar/minimizar os conflitos. Fui muito bem recebido na Índia, fiz muitos amigos e troquei muitas experiências.     


Apresentação de Conferência no Congresso da Índia. Um outro (e único) Brasileiro fez a composição da mesa de debates, Dr. Leonardo Cardoso, qual fiz amizade. Além de excelente profissional, é uma pessoa fantástica. 


Depois do congresso, conhecemos algumas regiões da Índia, no chamado "triângulo de Ouro", com os pilares nas cidades de Delhi, Agra (Taj) e Jaipur.

A impressão que tive foi de que tudo era caótico: muito barulho, trânsito uma loucura, inexistência de um sistema de saúde eficaz, ausência de seguro social, desorganização das estruturas básicas de uma sociedade. Para se ter uma ideia, estimam que 80% da água da Índia é contaminada, 10% suspeita de contaminação e apenas 10% é potencialmente potável. Apesar de tudo isso e da miséria que a maior parte da sociedade vive, são pessoas felizes e pacíficas. Muito disso é proveniente de suas crenças, onde o Induísmo é predominante (cerca de 60%), seguido dos Mussulmanos (30%) e outras religiões (catolicismo, espiritismo, etc..). Do riso ao choro (choro compulsivo, diga-se de passagem), a Índia é uma realidade muito difícil, quando comparado com o Brasil. Contudo, indianos tem uma característica muito interessante, são muito comprometidos e esforçados. Não é a toa que alguns dos melhores médicos do mundo são indianos. Noutro giro, temos que aqueles que não conseguem acesso a Educação ou pertencem a castas mais baixas, que são excluídos de algumas atividades, fazem de tudo para conseguir dinheiro (de tudo mesmo!). 
Meu irmão com um comerciante ambulante, que sobrevive tirando fotos com sua "Naja". 

A Naja é um gênero de serpentes da família Roumainy, natural do Sul da Ásia e da África. São conhecidas pelos nomes populares de (Roumainy) ou naja. São animais peçonhentos, agressivos e bastante perigosos. Algumas espécies têm a capacidade de elevar grande parte do corpo e/ou de cuspir o veneno para se defender de predadores a distâncias de até dois metros. Outras espécies, como por exemplo a Naja tripudians, dilatam o pescoço quando o animal é enraivecido. Certamente, eu estava morrendo de medo quando fiz essa foto. Entretanto, fiquei bem mais calmo quando o nosso Guia disse: "calma, eles arrancam as presas da Naja para poder fazer isso. São inofensivas". O único problema é que algumas Najas podem "cuspir" o veneno em sua cara...

As cores marcam muito a Índia: roupas, temperos, comidas e lugares. E a simplicidade das pessoas, bem como a pureza de coração me chamaram muito a atenção. A pergunta que ficava em minha cabeça: "como um lugar tão bagunçado e confuso pode abrigar pessoas tão tranquilas".  



Passeando pelas ruas de Nova Delhi, vimos coisas impressionantes, especialmente na parte antiga da cidade: 




Um Comerciante vendendo água armazenada em um "bucho" (estômago de boi). Os "copos" são uma espécie de "bacia de alumínio" e são comunitários. O custo de uma dose de água: 5 rúpias (15 centavos de real). 



E um dos momentos em que eu realmente tive uma "crise existencial", foi quando entramos no meio de "Old-Delhi", sendo levados por uma espécie de "charrete humana", puxada por um senhor que tinha idade em torno de 60 anos (mas com aparência de mais). Apesar de sua baixíssima escolaridade, ele tentava balbucear algumas palavras em Inglês, mostrando algumas situações do dia-a-dia para a gente. Muita confusão, buzinas para todo lado, desorganização e caos completo. Perguntei ao senhor quanto ele ganhava por mês. Ele me disse que ganhava 2000 rúpias (cerca de 65 reais), trabalhando 7 dias na semana, durante mais de 10 horas por dia. Lembrando que estamos falando de um serviço com exigência de atividade muscular intensa. No final do passeio, quando eu já estava chorando bastante por pensar na situação de vida daquele indiano, dei a ele de presente uma gorjeta de 2.000 rúpias, ou seja, o salário de um mês inteiro de seu trabalho. O senhor me agradeceu muito e ficou perplexo com a gorjeta que eu estava dando. Contudo, ele não fazia ideia de como ELE estava me ajudando e não o contrário.   



Na Índia não existe cinto de segurança, capacete, extintor de incêndio nos carros. Aliás, parece que eles não se importam muito com isso. Enquanto aqui no Brasil nossa preocupação com uso de "alcool x celular x direção", lá, sequer isto é levado em conta.  







Um elefante sendo utilizado como "veículo" no meio do trânsito. Essa foto representou exatamente o que estava sendo visto no retrovisor interno do carro (porque nenhum carro tem retrovisor externo). 
O chamado efeito "ET"(Extra-Terrestre) é um nome que dei para uma situação que vivenciamos com alguma frequência. Quando parávamos em alguns lugares, as pessoas simplesmente se aglomeravam ao nosso redor para nos olhar. Sim, simplesmente nos olhar. As imagens falam por si próprias. 


Ficamos amigos de um motorista de "Tuk-Tuk", qual começou a repetir tudo o que falávamos. Ele chegou a perguntar se éramos do Japão. Meu irmão não entendeu direito e respondeu que sim, que falávamos Japonês. Vejam bem: ELE CONFUNDIU PORTUGUÊS COM JAPONÊS!! Daí foi uma sessão de risadas e mais risadas! Pedimos para ele repetir um monte de besteira em português! No final, ele perguntou como iríamos para o Aeroporto e meu irmão disse que iríamos "de elefante". Crise de Risos. No final, qual o preço da corrida ? NADA. Ele disse que não iria nos cobrar, porque nós eramos amigos dele. Foi o momento mais descontraído da viagem. Obviamente não aceitei o fato de ele não cobrar e dei a ele cerca de 900 rúpias (Cerca de 30 reais). 


O que fica de lição disso tudo ? Temos problemas no Brasil, inúmeros. Contudo, quando conheci a realidade da Índia, que é um País que compõe o chamado "BRIC", verifiquei que temos aqui em nosso País muito mais chance de uma organização societária de fato, em médio prazo. Entretanto, a Índia tem uma vantagem enorme: não há violência como aqui no Brasil e as pessoas são naturalmente e doutrinariamente pacíficas. Que tal fazermos uma troca de alguns valores e experiências?  

Lição 3 - O que é a riqueza Verdadeira ?  (Março de 2011):  

Depois de termos (eu, minha esposa e meu irmão) experimentado todas as vivências da Índia, durante cerca de 20 dias, fizemos um retorno ao Brasil passando por DUBAI. Não tinha a menor ideia do que nos esperava em DUBAI, mas eu apenas queria um pouco de conforto e uma alimentação adequada (por causa do excesso de temperos apimentados da Índia). Quando desembarcamos em DUBAI, tive um outro choque, mas, desta vez, por causa da riqueza. Simplesmente impressionante a suntuosidade e a sensação de "MEGA" de tudo! Organização, infra-estrutura, educação, silêncio...ah, o silêncio! A impressão aqui é de que todo morador (nativo) é rico. Aliás, rico não, milionário. Contudo, fica o questionamento: o que, DE FATO, importa nesta vida: A riqueza material ? A riqueza espiritual ? A riqueza intelectual ? A riqueza emocional ? A riqueza social ? A riqueza familiar ?    






Meu amigo(a), quem dará a resposta ? Apenas você e suas experiências. Para mim, foi um choque muito grande de "contrastes". Uma coisa posso dizer: voltei a "ser criança" quando minha esposa e meu irmão insistiram para que fossemos no "parque temático da Ferrari". Há alguns anos passei a ter medo de coisas mais "radicais". E, não venha me dizer que uma montanha russa que vai de 0 a 240 km/h em menos de 3 segundos não é radical. Fui no tal "brinquedo" obrigado por meu irmão. E...GOSTEI. Como gostei. Aqueles momentos foram muito especiais, pois voltei a ter sensações que há muitos anos não tinha. Rememorei experiências de posicionamento corporal (oriundas da Ginástica Artística) já esquecidas há muitos anos. E, como fiquei feliz. Fez-me entender que quanto mais simples são as experiências, aproximando das sensações de uma criança de divertindo, mais feliz e leve pode ser o dia-a-dia da vida. Não estou dizendo que é necessário ir na "montanha russa da Ferrari" para ter estas sensações. Claro que não! Uma corrida em um parque, descer em um escorregador, se molhar na chuva ou subir em uma árvore são atividades simples que podem proporcionar sensações de muita alegria. Quebra a nossa rotina "pesada".  Obrigado Fá por ter insistido em que eu fosse naquela "montanha russa", pois foi a partir daquele momento, passei a resgatar uma parte de minha infância/adolescência parcialmente esquecida!     

Fá (Fabiano - meu irmão) e Eu na entrada do Parque da Ferrari. 

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